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Menopausa: sintomas, quanto dura e quando procurar ajuda

A menopausa não é doença, mas os sintomas podem durar anos e mexer com sono, trabalho e vida sexual. Veja o que dizem os estudos mais recentes e quando vale procurar a ginecologia.

Mulher de cerca de 50 anos sentada numa poltrona à noite, ao lado de um abajur aceso
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial. Não é paciente da clínica.

O que é a menopausa

Menopausa é a última menstruação da vida. Ela só é confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique (STRAW+10, 2012). Os anos de ciclos irregulares que vêm antes se chamam transição menopausal, ou perimenopausa.

Em mulheres de Campinas, a idade média da menopausa natural foi de 51,2 anos (Pedro e colaboradores, 2003). Menopausa antes dos 40 anos não é o esperado e precisa de avaliação.

Quais são os sintomas mais comuns

  • Ondas de calor (fogachos) e suores noturnos.
  • Sono pior, irritabilidade e dificuldade de concentração.
  • Secura vaginal, ardor, dor na relação e vontade frequente de urinar.
  • Ciclos irregulares na fase de transição.

Quanto tempo duram as ondas de calor

Mais do que se costuma dizer. No estudo SWAN, que acompanhou mais de 3 mil mulheres por até 17 anos, as ondas de calor frequentes duraram em média 7,4 anos e continuaram, em média, 4,5 anos depois da última menstruação. Quem começou a ter sintomas ainda menstruando regularmente teve os sintomas mais longos (Avis e colaboradores, JAMA Internal Medicine, 2015).

O sintoma de que pouca gente fala

Secura vaginal, dor na relação e sintomas urinários têm nome: síndrome geniturinária da menopausa. Ela atinge de 27% a 84% das mulheres depois da menopausa, é pouco diagnosticada e, ao contrário das ondas de calor, tende a não melhorar sozinha. Na maioria dos casos tem tratamento, inclusive local, com dose baixa (North American Menopause Society, 2020).

Menopausa e ossos

A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea na transição. No estudo SWAN, mulheres que aumentaram um pouco a atividade física de lazer, sobretudo caminhada, perderam menos osso no colo do fêmur (Greendale e colaboradores, 2023). Densitometria e exames são decididos na consulta, conforme a idade e o risco de cada mulher.

E a reposição hormonal?

  • É o tratamento mais eficaz para as ondas de calor e para a síndrome geniturinária, e previne perda óssea e fratura (North American Menopause Society, 2022).
  • Para mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos da menopausa, sem contraindicação, a relação entre benefício e risco é favorável. Começar depois disso traz mais risco (mesma fonte).
  • No seguimento de 18 anos do estudo WHI, o maior estudo randomizado sobre o tema, a terapia hormonal não aumentou a mortalidade total, cardiovascular ou por câncer (Manson e colaboradores, JAMA, 2017).
  • Em 10 de novembro de 2025, a FDA, agência de medicamentos dos Estados Unidos, retirou o alerta de tarja preta das bulas da terapia hormonal da menopausa e passou a orientar o início dentro de 10 anos da menopausa ou antes dos 60 (Sriprasert e colaboradores, Obstetrics & Gynecology, 2026).

Isso não quer dizer que serve para todas. Algumas condições contraindicam a reposição, como câncer de mama, trombose ou AVC prévios, doença do fígado em atividade e sangramento vaginal sem causa definida. Tipo, dose e via (comprimido, gel, adesivo ou creme vaginal) são escolhidos em consulta e revistos periodicamente.

Quem não pode ou não quer usar hormônio

Há opções sem hormônio com boa evidência para as ondas de calor, como terapia cognitivo-comportamental e alguns medicamentos de uso controlado. Já suplementos e fitoterápicos, incluindo soja, não são recomendados pela North American Menopause Society por falta de benefício comprovado (2023).

Quando procurar a ginecologia

  • Sintomas que atrapalham o sono, o trabalho ou a vida sexual.
  • Qualquer sangramento depois de 12 meses sem menstruar.
  • Menstruação que parou antes dos 40 anos.
  • Dúvida se a reposição hormonal é para você.

Na AMAE a consulta de ginecologia é em Alphaville (Al. Araguaia, 400) e em Cajamar, por convênio ou particular. Agende pelo WhatsApp (11) 4195-1515 ou pelo agendamento online.

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Perguntas frequentes

Com quantos anos começa a menopausa?

No estudo de Campinas, a idade média foi de 51,2 anos. Antes dos 40 anos, procure avaliação.

Reposição hormonal dá câncer?

O risco depende do tipo de hormônio, da dose, do tempo de uso e da idade de início. No WHI, com 18 anos de seguimento, não houve aumento da mortalidade por câncer. A indicação é individual.

Quanto tempo duram os calorões?

Em média 7,4 anos no total, segundo o estudo SWAN, e podem durar mais.

Fitoterápico ou soja funcionam?

A North American Menopause Society não recomenda, por falta de benefício comprovado.

Ginecologista atende menopausa pelo convênio?

Sim. Na AMAE a consulta é por convênio ou particular, em Alphaville e Cajamar.

Fontes

  • Harlow SD e colaboradores. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10). J Clin Endocrinol Metab, 2012. Consenso de especialistas (nível 5). doi.org/10.1210/jc.2011-3362
  • Pedro AO e colaboradores. Idade de ocorrência da menopausa natural em mulheres brasileiras. Cad Saúde Pública, 2003. Inquérito populacional em Campinas. doi.org/10.1590/s0102-311x2003000100003
  • Avis NE e colaboradores. Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition (SWAN). JAMA Intern Med, 2015. Coorte prospectiva com 3.302 mulheres (nível 2). doi.org/10.1001/jamainternmed.2014.8063
  • North American Menopause Society. The 2020 genitourinary syndrome of menopause position statement. Menopause, 2020. Diretriz. doi.org/10.1097/GME.0000000000001609
  • Greendale GA e colaboradores. Changes in physical activity and bone mineral density (SWAN). Lancet Reg Health Am, 2023. Coorte (nível 3: associação, não prova de causa). doi.org/10.1016/j.lana.2023.100481
  • North American Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement. Menopause, 2022. Diretriz. doi.org/10.1097/GME.0000000000002028
  • Manson JE e colaboradores. Menopausal hormone therapy and long-term all-cause and cause-specific mortality (WHI). JAMA, 2017. Seguimento de dois ensaios clínicos randomizados (nível 2). doi.org/10.1001/jama.2017.11217
  • North American Menopause Society. The 2023 nonhormone therapy position statement. Menopause, 2023. Diretriz. doi.org/10.1097/GME.0000000000002200
  • Sriprasert I e colaboradores. Obstet Gynecol, 2026. Análise da retirada da tarja preta pela FDA (fato regulatório). doi.org/10.1097/AOG.0000000000006226

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