
O que mudou na cobertura dos planos
Desde 1º de outubro de 2026, os planos de saúde são obrigados a cobrir o dispositivo e a inserção do DIU hormonal com levonorgestrel nos casos definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A regra está na Resolução Normativa nº 680, aprovada em 18 de setembro de 2026, que criou a diretriz de utilização nº 175 (DUT 175) para o implante.
A novidade que mais chamou atenção foi a endometriose, mas a diretriz também vale para as indicações da bula. Ela se aplica aos planos regulamentados pela Lei nº 9.656/1998.
Quem tem direito pela nova regra
A DUT 175 torna obrigatória a cobertura do DIU hormonal em duas situações:
- Indicação prevista na bula registrada na Anvisa. No DIU com 52 mg de levonorgestrel, o modelo mais usado, a bula prevê anticoncepção (por até 8 anos), tratamento do sangramento uterino anormal (por até 5 anos) e proteção do endométrio em quem faz reposição hormonal (por até 5 anos).
- Endometriose, em quem não pode usar a pílula anticoncepcional combinada, por uma contraindicação, ou não se adaptou a ela.
Em qualquer caso, o pedido precisa vir do médico, com a indicação registrada no relatório. Na endometriose, o diagnóstico sozinho não basta: o relatório precisa dizer por que a pílula combinada não serve.
E antes, quem conseguia?
O implante do DIU hormonal já constava do rol da ANS, mas sem uma diretriz que dissesse em quais casos a cobertura era obrigatória. Na prática, cada operadora decidia: algumas liberavam para sangramento menstrual aumentado que não melhorava com a pílula ou com outros remédios, outras negavam, e parte das pacientes só conseguia o DIU na Justiça. A DUT 175 acaba com essa dúvida e lista os casos em que o plano é obrigado a cobrir.
O que é a endometriose
Na endometriose, um tecido parecido com o que reveste o útero cresce fora dele, em geral na pelve. Ele causa inflamação, dor e, em parte das mulheres, dificuldade para engravidar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, e o diagnóstico costuma demorar de 4 a 12 anos.
Sinais que merecem avaliação
- cólica menstrual forte, que atrapalha a rotina;
- dor pélvica fora da menstruação;
- dor na relação sexual;
- dor para evacuar ou urinar no período menstrual;
- dificuldade para engravidar.
Cólica forte não é normal só porque é comum. Se a dor tira você da rotina, vale investigar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa na consulta de ginecologia, com a história e o exame físico. O ultrassom transvaginal costuma ser um dos primeiros exames. Em alguns casos, o médico pede exames mais detalhados, como o ultrassom com preparo intestinal ou a ressonância, para mapear as lesões.
Como o DIU hormonal age
O DIU hormonal libera levonorgestrel, um hormônio da família da progesterona, direto no útero e em dose baixa. Ele pode reduzir a cólica e o fluxo; em muitas mulheres a menstruação diminui ou para. Nos primeiros meses, sangramento irregular é comum.
Nem toda mulher pode usar. Gravidez, infecção pélvica ativa e câncer de mama atual são contraindicações. A decisão é tomada na consulta, junto com as outras opções de tratamento da endometriose, que incluem remédios para dor, outros tratamentos hormonais e, em alguns casos, cirurgia. A fisioterapia pélvica pode ajudar no controle da dor.
E quem quer engravidar?
O DIU hormonal também é um método anticoncepcional: enquanto ele estiver no útero, a gravidez é muito improvável. Para quem quer engravidar agora, o plano de tratamento da endometriose é outro e deve ser montado na consulta, às vezes com acompanhamento em reprodução humana. Muitas mulheres com endometriose engravidam; quando a dificuldade aparece, existem tratamentos para isso.
Como pedir pelo plano
- Marque uma consulta de ginecologia para confirmar o diagnóstico.
- O médico registra no relatório a indicação: a da bula ou, na endometriose, a contraindicação ou não adaptação à pílula combinada.
- Solicite a autorização ao plano, se ele exigir.
- A inserção é feita num serviço credenciado pela sua operadora.
Se o plano negar o pedido que cumpre a diretriz, peça a negativa por escrito, com o motivo, e registre reclamação na ANS, pelo site da agência ou pelo Disque ANS (0800 701 9656).
O que a AMAE faz
Na AMAE você faz a consulta de ginecologia, nas unidades de Alphaville (Barueri) e Cajamar, por convênio ou particular, para investigar a dor e indicar o tratamento. A inserção do DIU na AMAE é somente particular. Pelo plano, a inserção é feita num serviço credenciado pela sua operadora.
Agende pelo WhatsApp (11) 4195-1515 ou pelo agendamento online.
Veja também no site
Consulta de ginecologia
Investigação da dor pélvica e indicação do tratamento.
Ver →Ultrassom transvaginal
Um dos primeiros exames na investigação.
Ver →Fisioterapia
Fisioterapia pélvica para o controle da dor.
Ver →Unidade Alphaville
Endereço, horário e como chegar.
Ver →Unidade Cajamar
Endereço, horário e como chegar.
Ver →Perguntas frequentes
O plano de saúde cobre DIU hormonal para endometriose?
Sim, desde 1º de outubro de 2026, para quem tem endometriose e não pode usar a pílula anticoncepcional combinada ou não se adaptou a ela. A cobertura inclui o dispositivo e a inserção, com relatório médico.
E para quem tem sangramento menstrual aumentado?
Também. O tratamento do sangramento uterino anormal está na bula do DIU com 52 mg de levonorgestrel, e a DUT 175 obriga o plano a cobrir as indicações da bula, com pedido médico.
O plano cobre o DIU hormonal para evitar gravidez?
A DUT 175 vale para as indicações previstas na bula, e a anticoncepção é uma delas no DIU com 52 mg de levonorgestrel. O pedido é médico; confirme a autorização com a operadora e, se houver negativa, peça a justificativa por escrito.
O DIU hormonal cura a endometriose?
Não. A endometriose não tem cura, mas o DIU hormonal pode reduzir a cólica e o sangramento. O tratamento é definido na consulta, caso a caso.
A AMAE coloca o DIU pelo convênio?
Não. Na AMAE a inserção do DIU é somente particular. A consulta de ginecologia é feita por convênio ou particular, em Alphaville e Cajamar.
Fontes
- ANS. Resolução Normativa nº 680, de 18/09/2026, que cria a diretriz de utilização nº 175 (DIU hormonal), em vigor desde 01/10/2026.
- Portal Afya. ANS amplia cobertura obrigatória do DIU hormonal para endometriose, 23/09/2026.
- CNN Brasil. Nova regra da ANS facilita acesso ao DIU hormonal em planos de saúde, 23/09/2026.
- Febrasgo. Bula do DIU hormonal muda indicação de 5 para 8 anos para anticoncepção, 10/07/2025.
- Organização Mundial da Saúde. Endometriosis (fact sheet), 15/10/2025.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica.