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Azia e esofagite: quando a queimação merece consulta

Uma dor na garganta levou Kim Kardashian a descobrir uma inflamação no esôfago. Veja o que é a esofagite, quando a azia é sinal de alerta e o que as diretrizes recomendam para quem tem refluxo.

Mulher na sala, à noite, com a mão no peito e expressão de desconforto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial. Não é paciente da clínica.

O que Kim Kardashian contou

Na prévia de um episódio da série The Kardashians, divulgada em 29 de outubro de 2026, Kim Kardashian, de 45 anos, contou que andava se sentindo mal e que a garganta doía muito. O médico disse que ela tinha uma inflamação no esôfago, a esofagite, e ela passou por um procedimento para retirar alterações no órgão. Kim lembrou do pai, Robert Kardashian, que morreu de câncer de esôfago em 2003.

O que é esofagite

Esofagite é a inflamação do esôfago, o tubo que leva a comida da boca até o estômago. Uma das causas mais comuns é o refluxo: o ácido do estômago volta para o esôfago e irrita a parede dele. Ter esofagite não quer dizer ter câncer.

Refluxo é comum. A queimação atrás do peito, a azia, e o gosto ácido que volta para a boca são os sintomas típicos, mas a própria diretriz lembra que eles nem sempre bastam para fechar o diagnóstico. Por isso, azia que se repete merece avaliação.

Os sinais que pedem consulta logo

As diretrizes brasileira e americana concordam: azia com sinal de alerta pede avaliação sem demora, e a endoscopia é o primeiro exame (Consenso brasileiro de DRGE, 2002; Katz e colaboradores, 2022). Os sinais são:

  • dificuldade ou dor para engolir;
  • perda de peso sem motivo;
  • náusea ou vômitos que se repetem;
  • sangramento, como vômito com sangue ou fezes pretas;
  • anemia nos exames;
  • histórico de câncer na família.

Azia frequente sem sinal de alerta

Sem sinal de alerta, o tratamento é decidido na consulta e começa pela mudança de hábitos, com remédio que reduz o ácido do estômago quando indicado. Aqui as diretrizes divergem num ponto: a americana recomenda começar com 8 semanas desse remédio como teste (Katz e colaboradores, 2022), enquanto a brasileira considera esse teste controverso e o reserva para casos selecionados (Moraes-Filho e colaboradores, 2024). O consenso europeu de Lyon aceita o teste, mas lembra que melhorar com o remédio não confirma o diagnóstico (Gyawali e colaboradores, 2024). Usar remédio para azia por conta própria durante meses não é o caminho.

Hábitos que ajudam quem tem refluxo

Nas diretrizes brasileira e americana, as medidas com mais evidência são perder peso e elevar a cabeceira da cama. Também ajudam:

  • não comer nas 2 a 3 horas antes de deitar;
  • parar de fumar e evitar bebida alcoólica;
  • evitar os alimentos que, para você, pioram a azia;
  • evitar deitar sobre o lado direito.

Histórico na família muda o cuidado?

Refluxo de muitos anos pode causar o esôfago de Barrett, uma alteração na parede do esôfago que aumenta o risco de câncer. Não há consenso brasileiro sobre quando procurar essa alteração em quem não tem sinal de alerta. A diretriz americana sugere considerar uma endoscopia em quem tem refluxo crônico e 3 ou mais fatores de risco: ser homem, ter mais de 50 anos, ser branco, fumar, ter obesidade ou ter pai, mãe ou irmão com esôfago de Barrett ou câncer de esôfago (Shaheen e colaboradores, 2022). A europeia é mais restrita: a partir dos 50 anos, com refluxo há 5 anos ou mais e pelo menos 1 desses fatores (Weusten e colaboradores, 2023). As duas são recomendações fracas, e a decisão é feita na consulta.

Mesmo no esôfago de Barrett, a maioria das pessoas não desenvolve câncer: nos estudos citados pela diretriz, o risco nos casos sem alteração celular fica abaixo de 0,3% ao ano.

Consulta na AMAE

Azia que volta toda semana merece avaliação médica. Na AMAE você faz consulta de clínica médica e de gastroenterologia em Alphaville e em Cajamar, por convênio ou particular. Agende pelo WhatsApp (11) 4195-1515 ou pelo agendamento online.

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Perguntas frequentes

Esofagite é câncer?

Não. Esofagite é inflamação do esôfago, muitas vezes causada por refluxo, e tem tratamento.

Quando a azia é sinal de alerta?

Quando vem com dificuldade para engolir, perda de peso sem motivo, vômitos repetidos, sangramento ou anemia. Nesses casos, procure atendimento logo.

Posso tomar remédio para azia por conta própria?

Por poucos dias, seguindo a bula. Se a azia volta toda semana, o tratamento deve ser conduzido na consulta.

Quem tem caso de câncer de esôfago na família precisa de endoscopia?

Histórico na família é um dos fatores de risco. Somado a refluxo crônico e outros fatores, o médico pode indicar a endoscopia.

Fontes

  • TMZ, 29/10/2026, e Fox News, 30/10/2026: relato de Kim Kardashian na prévia de The Kardashians. Notícia. tmz.com
  • Moraes-Filho JPP, Domingues G, Chinzon D. Diretriz terapêutica da Federação Brasileira de Gastroenterologia para a doença do refluxo gastroesofágico. Arq Gastroenterol, 2024. Diretriz. doi.org/10.1590/S0004-2803.24612023-154
  • Moraes-Filho JPP e colaboradores. Brazilian consensus on gastroesophageal reflux disease. Am J Gastroenterol, 2002. Consenso. doi.org/10.1111/j.1572-0241.2002.05476.x
  • Katz PO e colaboradores. ACG Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. Am J Gastroenterol, 2022. Diretriz com método GRADE. doi.org/10.14309/ajg.0000000000001538
  • Shaheen NJ e colaboradores. Diagnosis and Management of Barrett's Esophagus: An Updated ACG Guideline. Am J Gastroenterol, 2022. Diretriz com método GRADE (rastreamento: recomendação condicional, evidência muito baixa). doi.org/10.14309/ajg.0000000000001680
  • Gyawali CP e colaboradores. Updates to the modern diagnosis of GERD: Lyon consensus 2.0. Gut, 2024. Consenso internacional. doi.org/10.1136/gutjnl-2023-330616
  • Weusten B e colaboradores. Diagnosis and management of Barrett esophagus: ESGE Guideline. Endoscopy, 2023. Diretriz europeia (critério de rastreamento conferido em fonte secundária holandesa). doi.org/10.1055/a-2176-2440

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica.

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